domingo, 22 de fevereiro de 2009

Operários e burgueses na Folia?

Se antes existia a ideologia do cidadão em detrimento da consciência classista, com o Carnaval, é criado um novo personagem universal no imaginário popular, acima das classes sociais, o folião.

A ordem é pular, beijar, beber, curtir, dançar, etc. Pouco importa quem sou, qual minha condição material e subjetiva de existência.

Numa hegemonia completa capitalista, é importantíssimo momentos como esse, onde a classe operária e as massas trabalhadoras são manipuladas e levadas a festejar sem ter motivos. A menos que essa festa, a maior do país, sirva de maneira distorcida para que as massas extravasem e joguem, momentaneamente, para fora todo o peso de um ano de opressão e exploração burguesa.

Já imaginou se o Carnaval acontece logo após a derrubada do regime burguês? Aí sim, teríamos motivos para ocupar as ruas e praças, com alegria, festejando o fim de um longo período de dominação capitalista. Um modelo de sociedade que acumula riqueza e poder na mão de uma minoria rica, empurrando a grande maioria da população à miséria e empobrecimento humanos.

“Até aqui, os homens têm sempre criado representações falsas sobre si próprios, e daquilo que são ou devem ser. Segundo as suas representações de Deus, do homem normal, etc., têm instituído as suas relações. Os filhos da sua cabeça cresceram-lhes acima da cabeça. Curvaram-se, eles que são os criadores, diante das suas criaturas. Libertemo-los das ficções do cérebro, das idéias, dos dogmas, das essências imaginadas sob cujo jugo se atrofiam. Rebelemo-nos contra o domínio das idéias. Ensinemo-los a trocar estas fantasias por idéias que correspondem à essência do Homem, diz um; a terem uma atitude crítica face a elas, diz o outro; a expulsá-las da cabeça, diz o terceiro; – e a realidade vigente ruirá”.
Marx e Engels

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