quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval de Salvador, um Palco de Desigualdades

A primeira vista o Carnaval é só felicidade, alegria. Milhões de pessoas festejando. Mas basta a gente olhar com mais atenção que começamos a perceber um mundo erguido pela desigualdade social.

No primeiro dia os astutos organizadores até tentaram camuflar o caráter desigual do Carnaval de Salvador. Colocaram o trio do Bloco da Capoeira, com grupos culturais, cantores, dançarinos e atletas. Porém, eles estavam lembrando da importância da capoeira na Guerra do Paraguai, uma guerra de interesses econômicos, em favor do Império Britânico, que destruiu uma nação que se contrapôs ao imperialismo.

“A Inglaterra é a primeira que se transforma em país capitalista, e em meados do século XIX, ao implantar o livre câmbio, pretendeu ser a “oficina de todo o mundo”, o fornecedor de artigos manufaturados para todos os países, os quais deviam fornecer-lhe, em contrapartida, matérias-primas. Mas este monopólio da Inglaterra enfraqueceu já no último quartel do século XIX, pois alguns outros países, defendendo-se por meio de direitos alfandegários “protecionistas”, tinham-se transformado em Estados capitalistas independentes. [...]

A particularidade fundamental do capitalismo moderno consiste na dominação exercida pelas associações monopolistas dos grandes patrões. Estes monopólios adquirem a máxima solidez quando reúnem nas suas mãos todas as fontes de matérias-primas, e já vimos com que ardor as associações internacionais de capitalistas se esforçam por retirar ao adversário toda a possibilidade de concorrência, por adquirir, por exemplo, as terras que contêm minério de ferro, os jazigos de petróleo, etc. [...]

Se fosse necessário dar uma definição o mais breve possível do imperialismo, dever-se-ia dizer que o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo.”
Lenin
O imperialismo, etapa superior do capitalismo

Nos glamorosos camarotes posam a classe dominante e seus apadrinhados. No circuito tradicional dos trios elétricos, a pequena-burguesia, setores da chamada “classe média” e ousados operários que precisam reservar uma parte do seus parcos salários para comprar os abadás, desfilam nos blocos puxados pelos célebres artistas do axé. Já as massas trabalhadoras, chamados ironicamente de “foliões pipocas”, pulam fora dos holofotes.

Enquanto o regime burguês estiver de pé, a classe operária e as massas trabalhadoras irão apenas ser figurante de uma festa de Carnaval que reafirma a desigualdade social gerada pela perversa ordem de acumulação de riqueza e poder nas mãos de um número reduzido de pessoas.

Um comentário:

  1. Concordo plenamente , pulo carnaval e vejo essa realidade de perto que na maioria das vezes passa despercebida aos olhos da população .

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