quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Escolas de Samba do Rio: a Voz dos Subúrbios Operários?

Como é possível ser transmitido, com destaque, pelo maior meio de comunicação da burguesia brasileira, a TV Globo, o desfile das escolas de samba que nascem nos subúrbios operários do Rio?

Talvez essa questão encontre resposta na medida em que perguntarmos com quem está o controle e a direção das escolas de samba que desfilam na Marquês de Sapucaí.

Apesar de nascerem em subúrbios operários, as direções estão nas mãos de pessoas que não representam os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, que sofrem diariamente com as precárias condições materiais de existência.

Nenhuma das doze escolas de samba fez uma crítica frontal ao capitalismo. Nenhuma trouxe para a Avenida as duras condições de existência de milhões de operários que moram nos subúrbios cariocas.

Abordar o “Tambor” sem dizer a que classe pertence o negro; falar sobre o "Chuveiro da Alegria” sem criticar a devastação ecológica promovida pelo imperialismo que põe em risco as reservas de água potável do planeta; tem como falar em “Amor” em tempos de marginalização em massa de milhões de trabalhadores e trabalhadoras; destacar o “Theatro Municipal” sem discutir um projeto político-cultural para a classe operária; resgatar os ideais da burguesia francesa “Liberté, Egalité, Fraternité” sem fazer uma dura crítica ao desfecho da revolução traída; relembrar “a formação do povo brasileiro” sem pontuar o genocídio indígena e a escravidão negra; fazer “samba” sem contextualizado na realidade opressora que os trabalhadores vivem; homenagear a “Bahia” sem se preocupar com quem a domina; gastar bilhões com a corrida ao “Espaço” virando as costas para a fome; como “inventar” se os educadores e educadoras, guias dos futuros cientistas, recebem um salário que não supre suas necessidades; será possível existir “Clube Literário” sem que as massas trabalhadoras usufruam de condições mínimas de sobrevivência; falar sobre os “Mistérios do Mar” sem relacionar com os grandes problemas que a humanidade enfrenta.

É enganar e trair os verdadeiros donos das escolas de samba, os operários e as massas trabalhadoras, que moram nos subúrbios do Rio e sofrem com a exploração e opressão burguesa.

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